Principais Conclusões
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A gestão indexada é a base certa de uma carteira de longo prazo.
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Construir uma carteira indexada é um processo exigente de análise e depuração.
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A alocação de ativos é uma das decisões com maior impacto no comportamento e nos resultados de uma carteira.
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O rebalanceamento por regra quantitativa mantém o perfil de risco escolhido.
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O custo total de investir inclui camadas que não aparecem em nenhum extrato.
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As decisões estruturais tomadas mais cedo são as que produzem mais valor futuro.
Décadas de evidência académica sustentam que a gestão indexada é a forma mais eficiente de participar no crescimento da economia global, e é sobre esta base que se constrói uma carteira de longo prazo: investir não é prever o mercado, é participar no seu crescimento. Essa exposição está hoje acessível a qualquer investidor, e daí decorre uma pergunta que nos é ocasionalmente colocada: se os instrumentos estão ao alcance de todos, qual o valor acrescentado de um serviço de gestão de carteiras? Este artigo descreve todas as etapas do serviço desde a decisão de indexar até ao resultado que o investidor efetivamente obtém ao longo de vinte ou trinta anos.
Construir uma carteira indexada é um processo altamente especializado
Gerir uma carteira indexada não é um processo linear. A metodologia da DC é proprietária, foi desenvolvida internamente ao longo de vários anos, e o resultado a que chega é a conclusão de um trabalho exigente de análise.
A constante atualização do universo de investimento, a escolha dos índices, a seleção criteriosa dos instrumentos que os representam, a análise do método de replicação utilizado e os critérios de liquidez (carteiras exclusivamente compostas por instrumentos com liquidez intradiária), custos e desvio face ao índice traduzem-se, em conjunto, numa carteira em que cada componente tem uma função específica.
Uma parte substancial deste trabalho consiste precisamente em depurar. Cada componente que não acrescenta exposição verdadeiramente complementar aumenta a complexidade operacional sem melhorar a diversificação, e a análise de sobreposição revela redundâncias que uma visão superficial da carteira pode não detetar.
Uma visão atualizada das carteiras de investimento pode ser consultada em Carteiras de Investimento.
A alocação de ativos é uma decisão de primeira ordem
Talvez a decisão com maior efeito no resultado de uma carteira seja a alocação de ativos: a repartição entre classes de ativos, o peso dos ativos de crescimento e dos ativos estabilizadores. É a alocação que define o comportamento esperado da carteira, o horizonte de investimento que lhe é adequado e a amplitude das oscilações que o investidor deve estar preparado para atravessar.
Duas carteiras construídas com os mesmos instrumentos, com alocações diferentes, correspondem a perfis de risco distintos e servem objetivos distintos. Definir a alocação adequada exige compreender o horizonte de cada objetivo, a estabilidade das fontes de rendimento, as necessidades de liquidez e a capacidade de manter a estratégia durante um período de queda. Este último elemento merece atenção, porque a capacidade de risco calcula-se e a tolerância ao risco descobre-se: a primeira deriva da situação patrimonial e do rendimento, enquanto a segunda, declarada num período calmo, tende a diferir da que se verifica num período de tensão.
É por esta razão que o processo começa por compreender a situação concreta do investidor, os seus objetivos, antes de identificar o seu perfil de investimento, que disponibilizamos no nosso website em questionário de perfil.
A implementação contribui de forma material para o resultado
A implementação da carteira é uma das fontes de valor mais subestimadas e menos ponderadas pelos investidores. Na DC temos em conta o custo de cada operação, incluindo o diferencial entre preço de compra e de venda e as conversões cambiais, multiplicado por todas as operações, num horizonte de décadas. Temos, também, em conta a programação das ordens e o tratamento dos reforços recorrentes.
A implementação inicial é realizada através de compras diárias recorrentes, de forma a reduzir a dependência do momento exato em que o capital é investido (“dollar cost averaging”) e eliminar o enviesamento comportamental de tentar prever o melhor momento de entrada.
Cada reforço ou resgate da carteira é, também, uma decisão de alocação: o que comprar ou vender, e em que momento, tem consequências materiais para o resultado. Um exemplo concreto: evitar uma venda desnecessária elimina não só o custo da transação, mas também o efeito fiscal que dela resultaria.
Uma arquitetura operacional eficiente permite executar este trabalho de forma sistemática, e não caso a caso. Em conjunto com a disciplina de execução, contribui de forma material para a rendibilidade ajustada ao risco, sem aumentar a rotação da carteira nem a sua complexidade, reduzindo, também, o tempo em que o capital permanece desinvestido.
O rebalanceamento converte disciplina em regra
A nossa metodologia é quantitativa, desenvolvida internamente e deliberadamente pouco frequente, e determina quando uma intervenção é justificada, contra que referência, com que tolerância por classe de ativos e com que hierarquia entre repor a alocação e evitar custos de operação e efeitos fiscais.
Distinguimos dois tipos de rebalanceamento. O rebalanceamento técnico repõe a alocação definida, com uma cadência anual prevista ou sempre que a carteira se desvia da alocação-alvo além da tolerância estabelecida. O rebalanceamento estratégico tem um propósito diferente: é aprovado em comité de investimento da DC e ajusta a alocação quando existe uma oportunidade de melhorar o binómio risco-rendibilidade da carteira, com uma implementação pensada para minimizar a rotação.
A definição de múltiplos objetivos financeiros em simultâneo
É comum que investidores tenham vários objetivos financeiros em simultâneo - um fundo de emergência, uma entrada para casa própria dentro de três anos, a reforma dentro de vinte anos - e cada um exige um planeamento diferente.
Esta temática deu origem ao DC360: um serviço que permite organizar o património por horizonte temporal, com uma carteira pensada para cada objetivo, em vez de uma solução única para todos. Com este serviço possibilitamos ao investidor manter três carteiras em simultâneo, quando a sua situação o justifica, e com uma visão consolidada de todos os objetivos.
À medida que cada prazo se aproxima, reavaliamos e ajustamos, caso necessário, o planeamento financeiro em vigor. Mantemos um acompanhamento próximo, sustentado por reuniões trimestrais com cada cliente. Salientamos, no entanto, que a nossa equipa está sempre disponível para agendar reuniões ou responder a questões sempre que o cliente o considere desejável.
A importância dos custos que não se veem
O custo total de investir inclui o encargo corrente dos instrumentos, o diferencial entre preço de compra e de venda, a comissão de execução, a custódia, as conversões cambiais e o arrasto fiscal decorrente da rotação. Estes custos existem em qualquer carteira, gerida por conta própria ou por terceiros, e a maior parte deles não aparece em nenhum extrato.
Há ainda uma categoria menos evidente e frequentemente maior: os custos estruturais associados a decisões sub-ótimas. Uma seleção de instrumentos que não pondera replicação, liquidez ou domicílio. Rotação acima do necessário, com o efeito fiscal correspondente. Reforços que permanecem sem exposição à espera de um momento melhor. Rebalanceamentos adiados por enviesamentos emocionais, no momento em que a operação seria mais valiosa. Nenhum destes custos é visível isoladamente, e todos se acumulam ao longo de décadas.
Todo o processo descrito neste artigo visa reduzir estas duas categorias de custo. É aí que se cria valor de forma consistente, e o efeito é tanto maior quanto mais longo for o horizonte de investimento.
A criação de uma infraestrutura sólida
Parte do valor de um serviço de gestão está na infraestrutura criada para o cliente e na forma como o serviço está montado.
Os ativos são depositados numa conta titulada pelo próprio investidor, junto de um custodiante autorizado e supervisionado na União Europeia, e que permite ao cliente aceder, em qualquer momento, à sua carteira intradiariamente, através de site ou aplicação móvel.
O serviço de gestão de carteiras da DC está sujeito a supervisão da CMVM, com obrigações contínuas de adequação, conduta, organização e reporte. A remuneração da DC provém exclusivamente da relação com o cliente e não de terceiros, o que leva a um estrito alinhamento de interesses. Existe ainda um plano de continuidade por trás do investimento. Em caso de emergência ou de sucessão, há uma equipa que compreende o planeamento financeiro do cliente.
As decisões tomadas mais cedo são as que produzem mais valor
O acompanhamento resolve problemas concretos quando a situação ganha complexidade: vários objetivos com horizontes distintos, objetivos e contexto familiar mais complexos, ou a ausência de tempo para acompanhamento regular da própria carteira.
O momento em que o acompanhamento produz mais efeito é, no entanto, o início da acumulação. Uma alocação adequada ao horizonte temporal desde o primeiro ano, instrumentos bem selecionados desde a primeira compra, reforços integrados com método e uma estrutura de titularidade e de custódia bem montada de início dispensam correções mais tarde. As decisões estruturais compõem-se ao longo de todo o horizonte de investimento, e é por isso que valem mais quando são tomadas cedo.
Tornar o complexo invisível
O nosso objetivo não é tornar o investimento complexo, mas tornar o complexo invisível para o cliente. A carteira que o investidor vê deve ser compreensível, enquanto o trabalho que a mantém alinhada e adequada ao longo de décadas acontece sem lhe exigir atenção permanente.
Como diz a frase atribuída a Leonardo da Vinci, a simplicidade é a melhor forma de sofisticação. Aplicada a uma carteira, significa que cada uma das decisões descritas neste artigo contribui para o resultado, e é o seu efeito acumulado, mantido com consistência durante trinta ou quarenta anos, que distingue a exposição que uma carteira tem no papel do resultado que entrega a quem a detém. É nesse equilíbrio entre eficiência, disciplina e alinhamento que assenta a nossa relação com o investidor.
Resumo
O valor do acompanhamento profissional numa estratégia de gestão indexada não está em tentar prever os mercados, mas em garantir que as decisões de investimento seguem um processo consistente ao longo do tempo. Alocação de ativos, seleção e implementação dos instrumentos, rebalanceamento, controlo de custos e acompanhamento dos objetivos financeiros fazem parte de um processo que procura manter a carteira adequada ao investidor durante todo o seu horizonte de investimento.
Perguntas Frequentes
1Porque ter acompanhamento profissional numa estratégia de gestão indexada?
Porque gerir uma carteira indexada vai além da escolha dos instrumentos. O processo inclui a definição da alocação adequada, a seleção e acompanhamento dos instrumentos, a implementação das operações, o rebalanceamento, o controlo dos custos e a revisão do planeamento financeiro ao longo do tempo.
2O que acrescenta um serviço de gestão de carteiras?
Um serviço de gestão de carteiras acrescenta um processo estruturado de análise, implementação e acompanhamento. Na DC, esse processo inclui a definição da alocação, a seleção dos instrumentos, a execução das operações, o rebalanceamento e o acompanhamento dos objetivos financeiros do cliente.
3O que é o rebalanceamento de uma carteira indexada?
O rebalanceamento permite manter ou ajustar a alocação da carteira de acordo com regras definidas. Na DC distinguimos o rebalanceamento técnico, que repõe a alocação definida, do rebalanceamento estratégico, aprovado em comité de investimento quando existe uma oportunidade de melhorar o binómio risco-rendibilidade da carteira.
4Porque é importante definir diferentes objetivos financeiros?
Objetivos como um fundo de emergência, a compra de uma casa ou a reforma têm horizontes temporais diferentes e, por isso, podem exigir planeamentos e carteiras distintos. O DC360 permite organizar o património por horizonte temporal e acompanhar os diferentes objetivos de forma consolidada.
5Quais são os custos de investir que nem sempre são visíveis?
Além dos encargos dos instrumentos, o custo total pode incluir diferenciais entre preços de compra e venda, comissões de execução, custódia, conversões cambiais e efeitos fiscais associados à rotação da carteira. Decisões sub-ótimas também podem gerar custos que se acumulam ao longo do tempo.
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O design de uma carteira adequada envolve múltiplos fatores — horizonte temporal, tolerância ao risco, estabilidade dos rendimentos e objetivos financeiros. A execução disciplinada, o rebalanceamento regular e o controlo de risco são tão importantes quanto a estratégia inicial.
Autor
Pedro Teles
Diretor de Portfolio Management
Profissional com 9 anos de experiência em mercados financeiros, especializado em gestão de carteiras e gestão indexada. Na DC, lidera a área de Portfolio Management, sendo responsável pela construção, acompanhamento e otimização de carteiras de investimento alinhadas com os objetivos, horizonte temporal e perfil de risco de cada cliente. É Chartered Financial Analyst (CFA) e possui um Mestrado em Finanças pela ESADE, um Mestrado em Gestão Internacional (CEMS/ESADE e University of Sydney) e uma Licenciatura em Economia pela Nova SBE.
Este artigo tem carácter exclusivamente educativo e informativo. Não constitui aconselhamento personalizado de investimento, recomendação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro, nem deve ser interpretado como tal.



