Indicador de risco de 1 a 7: O que significa 5 em 7?
Gestão Indexada

Indicador de risco de 1 a 7: O que significa 5 em 7?

Pedro Teles·Diretor de Portfolio Management19 de agosto de 20265 min de leitura

Principais Conclusões

  • 1

    O indicador de risco permite comparar soluções de investimento através de uma escala quantitativa e uniforme.

  • 2

    O cálculo assenta no desvio-padrão anualizado das variações de valor observadas nos últimos cinco anos.

  • 3

    A escala é ordinal, não proporcional, porque as bandas de risco não têm todas a mesma dimensão.

  • 4

    O indicador pode ser calculado para a carteira como um todo, considerando conjuntamente as suas exposições.

  • 5

    A diversificação pode reduzir a volatilidade global da carteira e esse efeito é visível no indicador de risco.

  • 6

    Carteiras com composições significativamente diferentes podem pertencer à mesma classe de risco.

  • 7

    O indicador é um ponto de partida para avaliar uma solução de investimento, não deve ser utilizado isoladamente para tomar uma decisão.

Ao comparar soluções de investimento, é frequente deparar-se com um número em grande destaque dentro de uma escala de 1 a 7. É, muitas vezes, o primeiro elemento que se retém de toda a documentação. O destaque é merecido. O número resulta de um cálculo com metodologia definida e bandas publicadas, igual para todas as entidades, não de um juízo de quem o divulga. Permite comparar soluções de entidades diferentes, mesmo antes de analisar toda a documentação em detalhe. Neste artigo explicamos como interpretar este indicador, como se calcula, o que significa e o que não significa. Aplicamo-lo depois à nossa gama, onde a escala revela algo concreto sobre o efeito da diversificação.

Dos adjetivos a uma escala comum

Durante décadas, o risco de uma solução de investimento era comunicado por adjetivos. A documentação descrevia a estratégia e classificava o risco com expressões como "moderado", "equilibrado" ou "adequado a um horizonte longo".

O problema não era a ausência de informação. Era a ausência de uma referência comum. Duas entidades podiam descrever o mesmo nível de risco como "moderado" e "elevado", e ambas cumpririam as regras aplicáveis. Comparar múltiplas propostas de diferentes entidades exigia analisar cada uma em detalhe, precisamente o que a documentação informativa deveria dispensar.

A regulamentação europeia resolveu-o substituindo o adjetivo por um número, com uma metodologia igual para todos e um resultado expresso numa escala única de sete classes.

O cálculo assenta no desvio-padrão anualizado

O indicador resulta de uma única medida: o desvio-padrão anualizado das variações de valor, calculado sobre as observações dos últimos cinco anos. É a definição estatística de volatilidade, a dispersão típica dessas variações em torno da sua média, expressa em percentagem por ano.

Não entram no cálculo juízos qualitativos, nem a estratégia, nem a qualidade dos emitentes. Entra a série histórica de valores, e apenas ela. É essa contenção que torna o resultado replicável por qualquer entidade que parta dos mesmos dados.


As bandas de classificação são:

Classe 1: 0% a 0,5%
Classe 2: 0,5% a 2%
Classe 3: 2% a 5%
Classe 4: 5% a 10%
Classe 5: 10% a 15%
Classe 6: 15% a 25%
Classe 7: 25% ou superior

A escala é ordinal, não proporcional

As bandas não têm largura uniforme: alargam progressivamente à medida que se sobe na escala, e tratar os números como se fossem proporcionais entre si conduz a uma leitura errada.

A classe 2 cobre um intervalo de um ponto e meio. A classe 4 cobre cinco pontos, a classe 6 cobre dez, e a classe 7 não tem limite superior. Subir uma classe na base da escala e subir uma classe no topo não representam o mesmo agravamento de risco.

Uma classe 4 não é o dobro do risco de uma classe 2. O número identifica a banda em que a carteira se situa. Não é uma unidade de medida.

O que o indicador mede e o que fica de fora

O indicador mede a volatilidade histórica do valor, a dispersão efetivamente observada nos últimos cinco anos.

Fora do seu alcance ficam dimensões relevantes:

  • A probabilidade de perda permanente. Volatilidade e perda definitiva são fenómenos distintos.
  • A capacidade preditiva. O cálculo é histórico e pode alterar-se consoante o período observado.
  • O risco de não atingir o objetivo. Um indicador baixo não significa necessariamente que o investimento é adequado ao objetivo do investidor.
  • O horizonte a que se destina. O cálculo não conhece o prazo do investidor.
  • A liquidez em condições de tensão de mercado, bem como os custos e a estratégia subjacente.

O indicador diz qual é a volatilidade histórica de uma carteira. Não diz se essa volatilidade é adequada ao objetivo a que se destina.

Como se obtém o indicador de uma carteira

As carteiras DC são constituídas por instrumentos de gestão indexada. Cada um tem exposições conhecidas e divulgadas e um indicador de risco próprio, o que permite calcular o indicador da carteira por agregação das suas componentes, agregação das exposições e não média dos indicadores individuais, que ignoraria a correlação entre elas.

Este cálculo agregado é uma informação adicional que disponibilizamos para que a carteira possa ser colocada na mesma escala de sete classes que qualquer outra solução, sem exigir a análise individual de cada componente. A transparência da estrutura é o que o torna possível.

O efeito da diversificação é visível no indicador

A nossa carteira DC100 está praticamente toda investida em ativos de crescimento: 94% em ações, complementados por 6% em matérias-primas. Apesar de ser a carteira com maior exposição a ações de toda a gama, situa-se na classe 5 de 7.

Sobram duas classes acima. São ocupadas por exposições de natureza diferente: por exemplo uma ação individual, o investimento direto em imobiliário, ou estratégias com recurso a alavancagem.

A razão pela qual a carteira mantém o risco 5 em 7 é a amplitude da sua diversificação. A DC100 agrega perto de seis mil títulos, distribuídos por América do Norte, Europa, mercados emergentes e Pacífico, com uma componente adicional de matérias-primas. Como essas exposições não se movem em simultâneo nem na mesma magnitude, a volatilidade do conjunto é materialmente inferior à média das volatilidades das partes que o compõem.

A diversificação não é uma virtude abstrata. É uma das decisões de investimento cujo efeito se observa diretamente no indicador de risco.

Na nossa gama, composições diferentes podem partilhar classe

A largura das bandas tem outra consequência prática, visível em toda a gama. A DC40 tem 40% em ações. A DC60 tem 59%. São dezanove pontos percentuais de diferença na componente de crescimento, uma distinção material no comportamento esperado e no horizonte adequado. Ambas se situam na classe 4.

O mesmo sucede no topo da gama: a DC80 tem 79% em ações, a DC100 tem 94%, e ambas ocupam a classe 5. Isto é a consequência inevitável de comprimir um contínuo de exposições em sete categorias, e não uma deficiência do indicador.


DC0: 3/7 | 0% ações | 100% obrigações | horizonte mínimo > 3 anos
DC40: 4/7 | 40% ações | 60% obrigações | horizonte mínimo > 4 anos
DC60: 4/7 | 59% ações | 35% obrigações | 6% matérias-primas | horizonte mínimo > 4 anos
DC80: 5/7 | 79% ações | 15% obrigações | 6% matérias-primas | horizonte mínimo > 5 anos
DC100: 5/7 | 94% ações | 6% matérias-primas | horizonte mínimo > 5 anos


Vista no conjunto, a gama distribui-se entre a classe 3 e a classe 5. Ao longo dela, o indicador e o horizonte mínimo que recomendamos movem-se juntos, ambos a acompanhar o peso dos ativos de crescimento.

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Resumo

O indicador de risco cumpre bem aquilo para que foi criado. O que não deve ser é o critério único de decisão. Uma classe 3 não é objetivamente melhor do que uma classe 5. É diferente, e a diferença só se torna adequada ou inadequada em função do horizonte, do objetivo e da pessoa a quem se aplica. É um erro frequente escolher uma classe sem planeamento financeiro e sem equacionar o objetivo a que se destina. Um dos propósitos do questionário de perfil de investidor é precisamente esse: perceber qual o perfil de risco que melhor se adequa à sua situação.

Perguntas Frequentes

1O que significa o indicador de risco de 1 a 7?

É uma escala uniforme utilizada na Europa para comunicar o risco de uma solução de investimento. Classifica-a em sete bandas, em função do desvio-padrão anualizado das variações do seu valor, calculado sobre as observações dos últimos cinco anos.

2O indicador de risco de 1 a 7 é o mesmo que o SRRI?

Sim. SRRI é a sigla de Synthetic Risk and Reward Indicator, a designação técnica da escala de sete classes cuja metodologia seguimos: desvio-padrão anualizado das variações de valor, enquadrado em bandas definidas por orientação europeia. Existe uma segunda escala, também de 1 a 7, aplicável ao documento de informação fundamental de determinados produtos de investimento, com bandas substancialmente mais largas. As duas não são intercambiáveis.

3Como se calcula o indicador de risco de uma carteira?

Numa carteira constituída por instrumentos de gestão indexada, as exposições são conhecidas e divulgadas, o que permite calcular o indicador da carteira por agregação das suas componentes. É esse cálculo que torna possível compará-la, na mesma escala, com qualquer outra solução de investimento.

4Uma carteira 100% em ações está na classe 7?

Não necessariamente. A classe depende da volatilidade do conjunto, e não apenas do peso das ações. Uma carteira amplamente diversificada por geografias e setores é materialmente menos volátil do que uma exposição concentrada.

5Um indicador de risco 1 significa que não posso perder dinheiro?

Não. Significa volatilidade histórica muito reduzida. Não constitui garantia de capital, nem elimina o risco de a solução não gerar a rendibilidade necessária para o objetivo a que se destina.

6Duas carteiras na mesma classe têm o mesmo risco?

Não necessariamente. As bandas são largas, pelo que carteiras com composições materialmente diferentes podem partilhar a mesma classe. Na gama DC, a DC40 e a DC60 situam-se ambas na classe 4, apesar de dezanove pontos percentuais de diferença na exposição a ações.

7A classe de risco pode mudar ao longo do tempo?

Sim. É recalculada periodicamente: a janela de cinco anos avança e, com ela, o desvio-padrão observado. Um período de maior turbulência de mercado pode elevar a classificação sem que a estratégia se tenha alterado.

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Autor

PT

Pedro Teles

Diretor de Portfolio Management

Profissional com 9 anos de experiência em mercados financeiros, especializado em gestão de carteiras e gestão indexada. Na DC, lidera a área de Portfolio Management, sendo responsável pela construção, acompanhamento e otimização de carteiras de investimento alinhadas com os objetivos, horizonte temporal e perfil de risco de cada cliente. É Chartered Financial Analyst (CFA) e possui um Mestrado em Finanças pela ESADE, um Mestrado em Gestão Internacional (CEMS/ESADE e University of Sydney) e uma Licenciatura em Economia pela Nova SBE.

Este artigo tem carácter exclusivamente educativo e informativo. Não constitui aconselhamento personalizado de investimento, recomendação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro, nem deve ser interpretado como tal.

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